Vida de expat: lidando com a distância

Lagarta Pintada 3 19:49


Pode parecer muito divertido, emocionante, pode parecer até que é a vida que todo mundo sonhou para si. Afinal, diante da pergunta "como é o emprego dos seus sonhos?", creio que 90% das pessoas incluiria na resposta a possibilidade de viajar para o exterior com frequência. Mas a história é bem diferente quando você tem que se mudar para fora do Brasil a trabalho em caráter definitivo. A coisa fica ainda mais sinistra se você tiver, de tempos em tempos, que juntar mala, cuia, gato, cachorro e papagaio e ficar pipocando entre continentes.

O que dizer dos filhos nessa confusão? Mudança de escola, de idioma, perda de amigos, namoradinhos... Perda de pediatra!! Outro calendário de vacinas? Mas no Brasil a gente não toma a BCG assim que nasce?!?


É tanta confusão que daria pra fazer um blog somente dedicado a isso. Eu descobri um outro dia de uma mãe aeromoça com um filho pequeno, o que também deve ser punk. Mas, enfim, no meu caso particular, acho que a situação mais difícil de enfrentar é a distância da família. A gente se esforça, fala no Skype, tenta explicar tudo o que pode sobre o Brasil, mas não é fácil.

Por mais que a gente visite a terrinha sempre que pode, muitas vezes me dou conta de que Sissi, a pequena, já não lembra mais da tia que a gente encontrou faz dois meses... Parece até que a gente está dentro do filme O brilho eterno de uma mente sem lembranças -- todas as vezes explicando a ela quem é a tia fulana, que sempre vai perguntar "não lembra mais de mim?"...

E para ela não perder os vínculos familiares, vivo pensando em meios de estreitar o contato. Como a criança pequena tem uma mente muito sensorial e precisa do estímulo dos sentidos para aprender (de preferência mais de um de cada vez), tive a idéia de fazer uns flashcards das pessoas da família para ela poder ter uma referência mais concreta de quem são os parentes.

É a coisa mais simples do mundo: você só precisa de um jogo de fichas, dessas para fazer fichamento de livro, só que sem pauta; cola bastão, tesoura ou estilete; fotos digitalizadas da família e uma impressora.



Imprima várias fotos, uma de cada pessoa da família em um tamanho que fique um pouco menor que a área da ficha. Depois, corte a foto e cole na ficha. À parte, imprima o nome de cada uma das pessoas, como a criança costuma chamar. Corte tirinhas com os nomes e cole na ficha, abaixo da foto da pessoa.

IMPORTANTE: Imprima os nomes em caixa alta e letra bastão (Arial ou Helvetica, que são as fontes que não tem serifa, aquelas "voltinhas" nas extremidades do desenho da letra). As pesquisas indicam que as crianças que ainda não estão alfabetizadas ou em fase de alfabetização devem ser expostas à letra bastão em caixa alta primeiro, para facilitar o processo de decodificação da palavra escrita.



Depois, mande plastificar cada uma das fichas prontas. Pronto, está feito o jogo. São várias possibilidades de brincadeira. Eu confesso que tinha pensado em encadernar tudo junto em espiral, para ficar como um livrinho, mas a Sissi gostou tanto das fichinhas separadas que eu estou adiando essa etapa. Nós brincamos com elas de várias formas:

1) Eu viro duas ou três para baixo, embaralho e peço a ela para adivinhar quem é. Quando ela acerta, é claro, eu faço a maior festa...

2) Eu peço a ela para apontar que tem cabelo comprido, ou quem usa óculos etc. etc., numa espécie de Cara-a-Cara [o jogo da Estrela] rudimentar...

3) E tenho tentado também usar para fins de classificação, para que ela me diga quem é "menino" e quem é "menina". Essa parte ainda é um desafio, mas a gente se diverte mesmo assim.

Dica: Para crianças maiores, acima de 3 anos, você pode imprimir, ao invés de uma, duas fotos de cada pessoa da família, fazer o mesmo procedimento e montar o seu próprio Jogo da Memória! Ainda não tentei com Sissi porque ela é muito pequeninha, mas imagino que seria um sucesso...


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3 comments

Bastante interessante essa idéia,pois dessa maneira a criança estará sempre em contato com as imagens dos familiares.

Quando ela acerta vc devia dar alguna coisa que ela gosta assim incentiva o desenvolvimento cognitivo. Ou entao podia imprimir duas fotos de cada e fazer como um jogo de memoria!!!;)

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Olhando no espelho

Mãe lagarta em metamorfose permanente... com família a reboque mundo afora.

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