Mãe nova, mãe velha - Episódio 1

Lagarta Pintada 3 15:18

Se você tivesse a chance de criar um filho novamente vários anos depois da primeira experiência, o que mudaria e o que faria de novo?


A melhor coisa que eu fiz: abandonei o Glenn Doman e me apaixonei pela Maria Montessori.



Quando LL nasceu, eu tinha 23 anos. Fiz vários planos sobre como iria educá-lo, os livros que iríamos ler juntos, tudo o que eu iria ensinar a ele e como isso seria maravilhoso. A maior parte dos meus planos  tinha a ver com educação. Porque eu sou uma mãe muito meio nerd, no bom sentido da expressão.

Pois bem, foi quando eu descobri os livros do Glenn Doman. A promessa de "realizar plenamente o potencial do meu bebê" me seduziu. Como multiplicar a inteligência do seu bebê foi o primeiro livro que eu li. Acho que devo ter lido algum outro título dele, já faz muito tempo, mas não foram muitos.

Alguns livros publicados por Glenn Doman

Confesso que hoje sinto um pouco de vergonha em admitir isso, mas... achava o máximo a idéia de ensinar várias coisas para o bebê desde pequeno, usando flashcards, que eu mesma fazia em casa pois só eram vendidos em inglês e fora do Brasil na época. Eu imprimia e plastificava palavras impressas em vermelho para "estudar" com LL todos os dias. O método exaltava o poder do estímulo audiovisual para ensinar o bebê a ler e, por tabela, a fazer operações matemáticas, aprender idiomas, o escambau.

Os flashcards do método Glenn Doman para ensinar o bebê a ler

Não preciso nem dizer que não funcionou... Pois é, não funcionou. Aliás, ainda bem que não funcionou. Foi a melhor maneira de me fazer entender que educar não é medir seu filho por padrões. Não é um modelo que funciona com imposição de cima para baixo.

Dezessete anos depois, grávida de Sissi, voltei a me debruçar sobre o tema com um olhar renovado. Queria encontrar um apoio teórico para guiar minha segunda filha por um caminho de realizações e felicidade ao aprender. Já havia entendido que um modelo pré-fabricado não iria funcionar. Queria algo que pudesse considerar a personalidade, gostos e inclinações, criando uma relação sinérgica e positiva com o aprendizado e com o mundo.

Foi aí que eu me apaixonei pelo método Montessori. Para falar dele, vou pular a apresentação convencional, de que a Maria Montessori foi a primeira mulher a se formar em Medicina na Itália, etc. porque tudo isso você pode ler na Wikipedia (Maria Montessori). Ao invés disso, prefiro trazer  aspectos que me chamaram mais atenção inicialmente, quando tive contato com o tema. Em particular, fiquei muito impressionada com uma reportagem do Wall Street Journal, intitulada "The Montessori Mafia" (em inglês). O artigo explora o fato de que os empreendedores de negócios mais criativos dos EUA foram alunos egressos de escolas montessorianas, incluindo o dono da Amazon, Jeff Bezos, os fundadores do Google Larry Page e Sergei Brin e o homem por trás da Wikipedia, Jimmy Wales.

Caramba, esses caras são meus ídolos absolutos de todos os tempos! Não só criaram empresas com idéias de uma genialidade criativa que chega a ser quase irritante, todos têm por trás de sua criatividade um ideal de transformar o mundo em algo melhor.

E o artigo vai mais além, citando um estudo que demonstra que crianças de cinco anos que frequentaram pré-escola montessoriana estão mais bem preparadas para o ensino fundamental do que as que frequentaram pré-escola convencional. Além disso, os pequenos montessorianos apresentaram melhores índices em sua função executiva, que aponta a capacidade do indivíduo se adaptar e resolver problemas complexos.

Sobre o método, um post não é suficiente, portanto pretendo ir abordando aos poucos os princípios, aplicação pedagógica e idéias para adotar em casa (mais ou menos o que eu venho fazendo). Por ora, compartilho os pontos fundamentais que permeiam a filosofia Montessori:



ênfase na independência 

liberdade com limites e 

respeito pelo desenvolvimento psicológico da criança

No vídeo abaixo, dá para ter uma boa idéia de como esses três pilares se combinam para produzir um ambiente escolar sereno, em que as crianças estão plenamente concentradas em suas tarefas. 80% das atividades nesta escola são escolhidas pelas crianças.



PS. Fiz uma tradução para o português do artigo do WSJ, "The Montessori Mafia". Se tiver interesse, é só entrar em contato.



Related Posts

Montessori 1562830747512229569

3 comments

Lá vou eu fofocar de novo, pois só vi este post agora.
Aqui em Floripa tem uma escola Montessoriana, o CEMJ (Menino Jesus). Meu filho e seus amigos estudaram da 1ª a 4ª série lá. Eles trabalhavam em grupo. Dividiam as fichas e as terminavam em 2 dias. Os outros 3 dias brincavam nos computadores e na biblioteca. Nós mães, estávamos apavoradas, mas o resultado foi incrível. Quando mudaram de colégio eram os melhores da turma (sem estudar). Hoje estão todos em universidades excelentes inclusive fazendo os cursos mais concorridos. O meu está na FSU fazendo cinema com bolsa, ou seja pagando o mesmo valor de quem nasceu na Flórida, o que é mais barato que as faculdades particulares chinfrim do Brasil.
Valeu Maria Montessori!
Bjs
Usha

Meu filho pediu para eu corrigir o meu post anterior: eles tinham 2 semanas para resolver as fichas, ou 10 dias úteis. Faziam em 2 e brincavam 8!

Usha

Usha, o que você está contando é muito interessante. Como nós, mães e pais, acabamos sendo instintivamente conservadores com relação à educação dos filhos no Brasil, não é mesmo? Temos aquele resquício de que erudição clássica é que boa educação e mesmo um método antigo como o Montessori, às vezes assusta, pela simplicidade. Amigas minhas já confessaram ter passado pelo mesmo tipo de situação que você e depois se sentiram super recompensadas com o resultado... Que bom! :) Abraços, Dani.

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.

Olhando no espelho

Mãe lagarta em metamorfose permanente... com família a reboque mundo afora.

Brasil, Estados Unidos, Bolívia e Emirados. Água, terra, fogo e ar.

Porque sem sair do casulo, ninguém descobre a verdadeira identidade.

Receba por email

eu apoio